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Missão de 80
ORIGEM
A Missão de 80 foi uma das operações mais críticas já conduzidas contra uma ameaça de natureza não convencional, marcando um ponto de ruptura definitivo na forma como o mundo passou a compreender o surgimento de indivíduos aprimorados. O evento ocorreu em 1980, na cidade de New Horizon, que, desde meados da década de 1970, vinha apresentando um crescimento alarmante de incidentes envolvendo manifestações sobre-humanas.
Entre 1975 e 1977, autoridades locais e organizações de inteligência começaram a registrar um aumento significativo de casos envolvendo indivíduos com habilidades anômalas. Esses eventos eram frequentemente acompanhados por colapsos físicos extremos — convulsões, combustão espontânea, mutações incompletas — além de episódios de violência sem precedentes. Em meio a esse cenário caótico, um nome passou a surgir com frequência nos relatórios: Leonard Yates.
Conhecido posteriormente como “Dom”, Leonard não era, à primeira vista, uma figura de ameaça direta. Formado em filosofia política e atuando como professor, ele passou a ocupar espaços públicos como praças e parques, onde realizava discursos voltados principalmente para jovens. Suas falas giravam em torno da evolução humana, da quebra de estruturas tradicionais e da necessidade de uma nova geração capaz de moldar o futuro. No entanto, o que diferenciava Leonard de outros pensadores era a natureza prática de sua ideologia.
Leonard possuía a habilidade de conceder poderes a outros indivíduos.
Inicialmente de forma experimental, ele passou a selecionar jovens que considerava promissores e, em troca da concessão dessas habilidades, exigia a execução de tarefas específicas — que variavam de ações menores, como roubos, até eliminações direcionadas. Esses testes não eram apenas provas de lealdade, mas também experimentos. A cada novo indivíduo, Leonard aumentava a intensidade da energia concedida, observando como cada corpo reagia. Alguns evoluíam de forma impressionante, tornando-se versões aprimoradas de si mesmos. Outros, no entanto, não suportavam o processo, sucumbindo a falhas biológicas violentas.
Em 1978, aos 29 anos, Leonard formalizou sua visão ao fundar A Ordem — um grupo composto por esses indivíduos transformados, que ele via não como seguidores, mas como os primeiros representantes de uma nova humanidade. A Ordem rapidamente se expandiu, operando de forma descentralizada, mas sempre guiada pelas diretrizes de Dom.
Diante do aumento dos incidentes e da crescente influência de Leonard, a SPECTRA iniciou uma investigação em 1977. A organização identificou padrões claros entre os locais onde Leonard discursava e os eventos envolvendo indivíduos aprimorados. Como resposta, foi designada a agente Evelyn Collins para se infiltrar em seu círculo.
Evelyn se aproximou gradualmente, inicialmente como observadora, mas rapidamente conquistando espaço dentro da rede de influência de Leonard. Ao longo de três anos, ela acompanhou de perto suas atividades, tornando-se uma das responsáveis por disseminar suas ideias e atrair novos recrutas. Leonard nunca a enxergou como uma ameaça. Pelo contrário, passou a vê-la como uma aliada valiosa na expansão da Ordem.
Durante esse período, Evelyn coletou informações fundamentais. Ela documentou padrões de recrutamento, registrou os efeitos do processo de concessão de poderes e identificou a estrutura operacional da Ordem. Mais importante ainda, teve acesso a registros detalhados das missões atribuídas a cada membro, incluindo alvos, locais e objetivos estratégicos.
Em meados de 1980, Evelyn presenciou diretamente Leonard concedendo poderes a múltiplos indivíduos em sequência, confirmando de forma definitiva a natureza de sua habilidade e o nível de controle que exercia sobre ela. Com base nas informações coletadas, a SPECTRA concluiu que Leonard não era apenas um agente isolado, mas o centro de um sistema em expansão com potencial de desestabilização global.
Diante dessa constatação, foi autorizada a operação que ficaria conhecida como Missão de 80.
A missão tinha como objetivo capturar Leonard Yates ou, em caso de impossibilidade, neutralizá-lo. A operação foi liderada pelo Capitão Jonathan Marker, escolhido por sua capacidade estratégica e histórico em operações de alta complexidade. A equipe contava com agentes experientes, incluindo Evelyn Collins, cuja infiltração foi essencial para o planejamento da ação.
O confronto ocorreu em um dos principais pontos de encontro da Ordem. O que inicialmente foi planejado como uma operação de captura rápida rapidamente se transformou em um cenário de instabilidade extrema. Os indivíduos aprimorados reagiram de forma imprevisível à intervenção, muitos perdendo o controle de suas habilidades, o que resultou em destruição em larga escala e múltiplas baixas.
Durante o confronto, Leonard percebeu a verdadeira lealdade de Evelyn. Sua reação não foi imediata nem impulsiva. Ele compreendeu a situação — e respondeu de forma calculada. Utilizando seus próprios seguidores como barreira e arma, ele conseguiu desestabilizar completamente a operação.
Apesar dos esforços da equipe, Leonard não foi capturado.
A missão resultou na destruição parcial da área de operação e na captura de diversos membros da Ordem, além da recuperação de dados críticos sobre sua estrutura e funcionamento. Ainda assim, a fuga de Leonard transformou a operação em um sucesso apenas parcial.
As consequências da Missão de 80 foram profundas. O evento marcou o reconhecimento definitivo da existência de indivíduos aprimorados como uma ameaça real e crescente, forçando organizações como a SPECTRA a expandirem suas operações e desenvolverem novas diretrizes de contenção.
Para Leonard, no entanto, o impacto foi ainda mais significativo.
A traição de Evelyn e a destruição de parte de sua estrutura inicial alteraram profundamente sua abordagem. Ele abandonou métodos instáveis e passou a agir com maior precisão e controle, refinando tanto seus critérios de seleção quanto a forma como concedia poderes. Sua visão deixou de ser apenas ideológica.
Tornou-se estratégica.
A partir daquele momento, Dom não buscava mais provar que um novo mundo era possível.
Ele passou a construí-lo.
E a Missão de 80 ficou registrada como o momento em que o mundo deixou de ignorar essa mudança — mas ainda falhou em impedi-la.