O Projeto Portal - Fracassos
ORIGEM
Antes do nascimento de Angelina Grayne, o Projeto Portal produziu dezenas de tentativas malsucedidas. Cada uma delas representava uma nova abordagem para integrar DNA humano com propriedades dimensionais, mas quase todas resultaram em organismos instáveis ou biologicamente impossíveis.
Embora os relatórios oficiais classifiquem essas tentativas como “falhas experimentais”, muitos desses indivíduos ainda existem — mantidos em instalações subterrâneas das Grayne Laboratories, onde continuam sendo estudados por equipes especializadas.
Entre os registros mais conhecidos estão:
PROTÓTIPO ED-23 - O DESLOCADO
Um dos primeiros experimentos envolvendo partículas dimensionais diretamente integradas ao DNA humano. O indivíduo desenvolveu uma instabilidade espacial extrema: partes de seu corpo desapareciam temporariamente da realidade, reaparecendo alguns segundos depois. Braços, órgãos e até segmentos da coluna podiam alternar entre dimensões, tornando sua anatomia completamente imprevisível.
Apesar de permanecer vivo por vários anos, o organismo jamais conseguiu manter coesão física completa. Hoje ele é mantido em um campo de estabilização permanente, pois sua presença sem contenção pode provocar microfendas dimensionais espontâneas.
PROTÓTIPO RM-11 - O TRANSPARENTE
Resultado de tentativas de sincronizar a estrutura molecular humana com frequências dimensionais mais altas. O experimento produziu um indivíduo cuja pele e tecidos se tornaram parcialmente translúcidos, revelando órgãos internos que oscilavam entre estados sólidos e energéticos.
Com o tempo, partes do corpo começaram a desaparecer gradualmente da realidade física, como se o organismo estivesse lentamente sendo absorvido por outra dimensão. Atualmente, apenas cerca de 40% de sua massa corporal permanece visível.
PROTÓTIPO FQ-25 - A COROADA
Uma das primeiras tentativas de criar um organismo capaz de perceber dimensões paralelas sem abrir portais. O resultado foi uma criança que desenvolveu crescimento irregular do tecido neural ao redor do crânio, formando estruturas semelhantes a uma coroa óssea que atravessava a pele.
O experimento demonstrou habilidades psíquicas incomuns, incluindo a capacidade de ouvir ecos de outras realidades. No entanto, a exposição constante a essas percepções provocou colapso psicológico severo. Hoje ela permanece em estado catatônico, murmurando frases em idiomas que não correspondem a nenhuma língua conhecida.
PROTÓTIPO MN-09 - O ECO
Talvez o caso mais perturbador documentado pelo Projeto Portal.
O indivíduo parecia perfeitamente normal nos primeiros anos de vida, até que cientistas perceberam que seus movimentos aconteciam com pequenos atrasos, como se sua presença estivesse ligeiramente deslocada no tempo. Em testes posteriores, sensores registraram que múltiplas versões do organismo existiam simultaneamente em estados temporais diferentes.
O resultado foi a fragmentação de sua consciência. O experimento agora manifesta múltiplas personalidades simultâneas, cada uma aparentemente pertencente a uma linha temporal distinta.